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06 / nov 2012

A ESQUISITA CORRUPÇÃO GREGA

A corrupção é um ato ilegal que ocorre quando uma pessoa, abusando de seu poder e contrariando a lei, obtém algum benefício para si, seus familiares ou amigos. É uma prática social comum na vida cotidiana e em todas as atividades, sem discriminação de categorias e condições sociais.

Numa era em que a corrupção alastra-se por todos os países do mundo, sem que se tenha notícia de métodos válidos capazes de deter a sua expansão insidiosa, vale o registro de fato recente ocorrido na conturbada Grécia.

Correu a notícia de que na ilha de Zakinthos a taxa de cegos era superior nove vezes a média europeia. Dos 39 mil habitantes que ali viviam, cerca de 2%, 800 pessoas, seriam privadas da visão. O fato, pela sua gravidade, importou na ida de auditores do Ministério da Saúde àquela província, a fim de apurar a veracidade da informação.

Quando os agentes do governo ali chegaram, constataram que tudo não passava de uma fraude cometida por famílias, médicos e políticos, do que resultaria uma compensação do Estado a cada “cego” no valor de 380 euros, que correspondia à aposentadoria de muitos dos moradores.

Este artifício foi o meio empregado para driblar a recessão e a falta de empregos, mediante propinas, com o fornecimento de atestados certificando que o paciente tivera sua visão comprometida desde a infância.

A população desesperada, ao ver minguar de forma drástica a sua renda, valeu-se deste expediente que, embora moralmente reprovável, lhe asseguraria condições de sobrevivência. Assim, os espertalhões, contando com a conivência das autoridades locais, vinham recebendo auxilio estatal, ainda que não fizessem jus a esse subsídio.

Cabe acrescentar que no rol dos beneficiados figuravam alguns que padeciam de outras doenças que não a cegueira, havendo outros que recebiam a pensão em nome de parentes já falecidos.

Em abril do corrente ano, cerca de 200 mil gregos ficaram privados de receber assistência previdenciária, devido ao descrédito do Ministério da Saúde pela sua negligência na fiscalização oportuna do que ocorrera na ilha.

O diretor da ONG “Transparência Internacional”, Costas Bakouris, ouvido sobre o episódio, emitiu este pronunciamento: “Isso tudo é o resultado de uma confluência de interesses. De um lado, a existência de muitos políticos corruptos em busca de votos e, de outro, médicos mal pagos pelo governo, necessitando completar a sua renda familiar. Quando as pessoas acreditam que seus líderes abusam dos poderes que exercem e vivem na impunidade, ficam bem inclinados a seguir a mesma linha”.

A ocorrência, ainda que inusitada, está a merecer reflexão também no Brasil. Quando se descobre um político, um sindicalista ou um empresário corrupto, a tendência natural é recomendá-lo à demissão, a rua ou a cadeia.

Ocorre que a corrupção não é sanada apenas com medidas coercitivas e nem será o excesso de leis que irá reprimi-la; mas, sim, a formação de uma consciência, repelindo a troca de favores e qualquer outro método que importe em transgressão da confiança e das regras que disciplinam uma sociedade séria e responsável.

 

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