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02 / jan 2018

A ESPERANÇA PERDIDA

O desencanto dos brasileiros com o Legislativo atingiu a 60%, em pesquisa realizada pelo Datafolha, que considerou ruim ou péssimo o desempenho de 513 deputados federais e 81 senadores. Vale ressaltar que esse resultado foi obtido decorrido pouco mais de um mês da rejeição da segunda denúncia criminal contra Michel Temer pela Câmara dos Deputados.

Segundo a pesquisa, efetuada no período compreendido entre 2015 e 2017, o índice de reprovação nunca ficou abaixo de 41%. Nas seis legislaturas anteriores, embora os resultados conhecidos fossem negativos, não chegaram a atingir um índice tão deprimente.

A situação atual guarda certa semelhança com a que medrava em 1993, por ocasião do escândalo dos “anões” do orçamento, que gerou um movimento armado por congressistas que desviavam recursos em benefício próprio.

Somente em 2003, no início da gestão de Lula, tivemos uma avaliação positiva do Congresso.

Desde 2014, com a aparição de Eduardo Cunha no cenário legislativo, empenhado em conferir maior independência à Câmara dos Deputados, aquela Casa tomou um rumo diverso. Ao mesmo tempo em que eclodia o processo de impeachment de Dilma Rousseff, que tinha em Cunha um de seus maiores adversários.

Já no governo de Michel Temer, a despeito de suas oscilações, tivemos a reforma trabalhista, o congelamento dos gastos federais e um arremedo de reforma política.

O escândalo da Operação Lava Jato alcançou os presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados, que se tornaram alvo das investigações realizadas no STF.

Daí a conclusão de que o atual Congresso, mesmo dispondo de força junto ao Executivo, encontra-se desmoralizado, sem condições de recuperação no próximo pleito.

O perfil conservador das bancadas religiosa, ruralista e da “bala”, revela que o eleitorado reprova a atuação dos parlamentares, negando-lhes crédito, o que concorre para o surgimento de figuras sedutoras, como Jair Bolsonaro e o próprio Lula, ainda que este tenha sido condenado em primeira instância e respondendo a outros sete inquéritos.

Este quadro preocupante serve para demonstrar que nunca o Legislativo esteve tão ruim como agora, sem perspectiva de recuperação em curto prazo.