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29 / abr 2011

A crise dos EUA e o crescimento da China

Detroit, capital da indústria do automóvel, tem hoje menos habitantes que em 1910, com bairros semivazios, edifícios desocupados, numa paisagem desoladora.

Os EUA que enfrentam problemas diversos bem mais graves do que no ano de 1935 quando o presidente Roosevelt deflagrou o processo de recuperação econômica pondo em prática o “New Deal”.

Na década de 1980, o presidente Reagan conseguiu fazer com que os assalariados tivessem um espetacular incremento nas pensões recebidas do Estado, ao mesmo tempo em que foram reduzidos os impostos que gravavam os rendimentos empresariais e de capitais. Nas guerras contra o Afeganistão e Iraque os EUA, invadiram países cuja língua, religião, estrutura social e historio nacional lhes eram totalmente desconhecidas.

Essas aventuras foram prejudiciais à sua reputação internacional, criando uma compreensível intolerância política e pessoal pelos seus dirigentes.

Atualmente o problema mais grave daquele país é persistência da depressão econômica, mesmo após o enorme colapso financeiro de 2008.

Entre os anos de 2005 e 2007, aqueles que compraram imóveis dando uma pequena entrada, assumindo dívidas hipotecárias vultosas, constataram, no ano seguinte que ao tentar vendê-las ou refinanciá-las, os bens passaram a valer menos no mercado do que haviam custado por ocasião de sua compra.

Daí compreender-se a comoção e amargura de milhões de pessoas que, nos últimos anos tiveram que arcar com uma dívida hipotecária em valor nominal maior que o preço atual da vivenda que haviam comprado.

Outra grave questão que grassa nos EUA diz respeito à previdência social, pois o governo não tem condições de cumprir com as obrigações assumidas com os pensionistas tendo que pagar aos trabalhadores mais do que esses haviam recolhido durante toda a sua vida.

Não menos preocupante é o espírito beligerante estimulado pela Associação Nacional das Armas, com respaldo na segunda emenda da Constituição pela qual teria ficado garantido a todos cidadãos o direito inalienável de trazer consigo armas de fogo.

Esta tendência agressiva é explorada pelos candidatos a cargos eletivos, sem que o governo Obama exerça o efetivo controle sobre os compradores de armas de modo que as consequências deste comportamento tornem-se a cada dia mais graves.

No Congresso, Federal ou Estaduais, os legisladores tem receio de defender qualquer tipo de controle à venda de armas, pois correriam o risco de sofrer uma campanha da Associação Nacional que incentiva esta indústria.

Diante desse quadro negativo não causa surpresa à afirmativa feita pelo banco de investimento Goldman Sachs de que os EE UU cederão à China, em 2027 a sua primazia como potência mundial.

Os EE UU que há um século atrás desbancara o Reino Unido, corre o risco de perder a sua hegemonia conforme dados fornecidos pelos seus próprios órgãos de planejamento econômico.

Assim, num dos piores anos, que foi o de 2009 enquanto o PIB estadunidense caiu a 2,5% o da China cresceu em 8,7%.

A pujança da China vem de algum tempo, bastando lembrar que, nas últimas três décadas os EUA cresceram numa média de 2,8% ao passo que o desenvolvimento chinês foi da ordem de 10%.

Tudo isso sugere que o modelo atual de globalização deverá experimentar grandes transformações nos próximos anos segundo as perspectivas econômicas do FMI. Segundo aquele órgão que enquanto o PIB chinês tem o seu poder aquisitivo a cada ano mais elevado o mesmo não ocorre nos EUA que ainda sofre os efeitos da recessão de 2008, o que certamente refletirá na sucessão do presidente Obama.