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21 / out 2019

A CONVICÇÃO DA JOVEM SUECA

O recado que Greta Thunberg transmitiu durante a cúpula do Clima, teve maior repercussão do que a fala do presidente Jair Bolsonaro no dia seguinte à sessão inaugural da Assembleia Geral da ONU.

Em se tratando de nome sumamente conhecido no ativismo ambiental, a sua assertiva, fundada em dados científicos, de que o aquecimento global causado pela atividade humana está destruindo a Terra, produziu impacto junto aos governantes de todo o mundo.

No painel dos cientistas reunidos na ONU, o mundo tem pouco mais de uma década para reduzir 45% das emissões de gases de efeito estufa e evitar o aumento de temperatura médio no Planeta superior a 1,5º grau Celsius.

Nem mesmo a ironia desfechada por Trump de que Greta não passa de “uma jovem muito feliz, ansiosa por um futuro brilhante e maravilhoso”, abalou o seu prestígio, tal a convicção com que defende a sua posição.

Já há algum tempo, tornou-se alvo de saraivada de acusações que concorreram para torná-la ainda mais respeitada, a despeito das aleivosias daqueles que não se conformam com o seu talento. Já houve quem a considerasse mera marionete de Bill e Melinda Gates, de estar sendo financiada pela fundação filantrópica de Bono, vocalista da Banda U2. Houve, ainda, quem a apontasse como neta do bilionário George Soros.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro, em busca de maior notoriedade em sua pretensão de atingir a embaixada brasileira em Washington, lançou mão de uma montagem fotográfica nas redes sociais. Nela a sueca aparece se alimentando num trem de luxo, enquanto crianças pobres ficam na janela do vagão, deslumbradas com o que estavam vendo.

No rol dessas invectivas, houve quem a denunciasse como ligada ao Estado Islâmico e filha de terroristas. Outros detratores chamaram a atenção para as suas tranças, semelhantes às das jovens que endeusavam Hitler por volta dos anos 40.

A jovem Greta não passa de filha de Malena Ernman, cantora de ópera, e do ator e produtor Svante Thunberg, que a financiam em suas promoções.

Além de todas as afrontas por que passa, a adolescente é portadora da síndrome de Asperger, o que não é questionado por ela, ao ponto de afirmar: “Eu tenho asperger e isso significa que às vezes eu sou um pouco diferente da norma”.

Na avaliação do neuropediatra Clay Brites, do Instituto Neurosaber, o portador dessa síndrome “costuma ter uma superconcentração em um assunto que acha fascinante”.

A diretora da Fundação Bergmancenter, da Suécia, Helen Beltrame-Linné, indagada quanto aos motivos que concorreram para o renome de Greta, ponderou: “Existe uma consciência generalizada de que as crianças não têm poder em nosso mundo, do que se conclui que há uma forma delas avançarem replicando as iniciativas das gerações mais velhas”.

Na concepção da especialista, o principal instrumento desse capital social é um só: educação. Se outros países já haviam produzido lideranças no ativismo ambiental, há algo de peculiar no caso da jovem escandinava.

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