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06 / jul 2011

A CHINA CONTINUA A MESMA

Após três meses de prisão, Ai Weiwei, o mais conhecido artista chinês, foi liberado sob condições rígidas impostas pelo governo de seu país. A justificativa dada pela agência estatal Xinhua foi de que o ativista só obteve a liberdade após pagar a dívida fiscal que originou a sua detenção.

Devido à repercussão mundial de sua prisão, o governo chinês procurou justificá-la acusando-o de haver cometido “crime econômico”. Ai Weiwei foi detido no Aeroporto Internacional de Pequim ao tentar embarcar para Hong Kong.

O artista foi um dos idealizadores do estádio olímpico “Ninho de Pássaro”, que desenhou juntamente com arquitetos suíços da firma Herzog & De Meuron. Embora seja o chinês mais conhecido em todo o mundo, tendo participado da Bienal de São Paulo, em 2010, somente foi solto após aceitar a condição de não emitir críticas ao Partido Comunista pelo menos durante um ano.

Para a sua liberação concorreu não só a pressão internacional como a visita que o Primeiro Ministro Wen Jiabao fará à Europa em breve. Por ocasião da ida da presidente Dilma Rousseff à China, esta recusou-se a emitir qualquer consideração a respeito de Ai Weiwei, embora a sua prisão fosse recente e censurada por inúmeras instituições defensoras dos direitos humanos.

O fato de Dilma não haver proferido qualquer manifestação contrária ao sistema vigente repercutiu negativamente entre os ativistas, que a acusam de haver esquecido o que sofreu no passado, depois de passar a integrar o poder em Brasília.

A China atravessa uma fase de dura repressão àqueles que se insurgem contra o regime despótico ali instaurado, vivendo uma situação que faz lembrar 1989, ano em que ocorreu o massacre na Praça da Paz Celestial.

Outro artista muito conhecido, Wu Yuren, foi liberado no mesmo dia em que se deu a detenção de Weiwei. Tal como Weiwei, não poderá sair de Pequim nem criticar o governo atual, que dirige o país com mão de ferro.

Outros dissidentes ilustres continuam em local incerto, sem qualquer perspectiva de liberação. Além do Nobel da Paz, Liu Xiaobo, detido em 2008 por incitar a subversão ao poder estatal, também dois advogados de renome na comunidade jurídica sofrem a pressão imposta por Wen Jiabao. Um deles, Gao Zhisheng, foi torturado e preso em sua própria casa, em 2009, e o seu paradeiro é ignorado. Outro, Chen Guancheng, cumpriu pena de quatro anos apenas por discordar da Política do Filho Único.

Ai Weiwei, ao ser convidado para participar em Kassel, na Alemanha, há quatro anos, de uma das mais importantes mostras de arte do mundo, somente aceitou o convite após negociar a ida de 1001 cidadãos chineses, que deveriam permanecer na cidade durante a exposição.

Com isto, pretendeu chamar a atenção da comunidade mundial para o rigor com que são tratados os discordantes do poder implantado naquele país asiático.

É de se esperar que o Brasil, tendo hoje um Ministério destinado à preservação dos Direitos Humanos, não se conserve silente e adira aos pronunciamentos de potências como a Alemanha, França e Reino Unido, que não perdem a oportunidade para externar a sua insatisfação com o que vem ocorrendo na China.

 

 

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