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07 / dez 2011

A APROVAÇÃO DA IMORALIDADE

A ONG Transparência Internacional, sediada em Berlim, divulgou nos últimos dias o ranking em que avaliou a corrupção em 183 países. A estimativa resultou da apreciação de documentos, fatos e entrevistas envolvendo a devassidão política existente em todos os continentes.

Para que se possa saber o grau da deterioração atual, a entidade ouviu empresários e analistas sobre a contribuição financeira que lhes é exigida na obtenção de resultados favoráveis junto aos órgãos públicos.

No ano passado, o Brasil ocupava a 69ª posição, caiu em 2011 para o 73º lugar e ficou atrás de outras nações reconhecidamente pobres, como Gana, Namíbia, Botsuana e Ruanda.

Já a Venezuela, foi considerada o país mais corrupto da América do Sul (172º), enquanto que o Chile (22º) e o Uruguai (25º) encontram-se em situação mais favorável que a do Brasil.

Assim, a nota que, em 2010, era de 3,7, passou a ser de 3,8, num escalonamento que vai de 0 (bastante corrupto) a 10 (corrupção inexistente).

Os primeiros lugares do ranking foram conferidos a nações de alto grau de desenvolvimento econômico e social, como Nova Zelândia, Dinamarca e Finlândia.

No levantamento deste ano, Cuba que, em 2010, havia empatado com o Brasil, encontra-se agora na 61ª posição.

Segundo informações passadas por Alejandro Salas, que é o responsável pelo órgão no continente americano, ainda que o nosso governo afirme já haver adotado medidas contra a decomposição moral, esta ainda subsiste, sendo exercida através do nepotismo, compra de votos no Legislativo e obtenção de favores nas esferas governamentais.

O recente episódio envolvendo o ministro Carlos Lupi presta-se a ilustrar o critério que medra na administração federal, que não está disposta a combater a esperteza existente em seus quadros.

Assim, mesmo contando com a expressa manifestação do Conselho de Ética, reconhecendo a astúcia daquele auxiliar do Executivo, este consentiu que o mesmo permanecesse no cargo, sem que haja a certeza de sua destituição na próxima reforma ministerial.

Esta transigência equivale à aceitação da sagacidade como sendo um acontecimento normal, inobstante as provas concretas da desfaçatez imperante.

Ficou provado, assim, o desinteresse governamental pela extinção da safadeza que vem prosperando, a cada dia, que constitui um péssimo exemplo para aqueles que ocupam cargos estatais e que ainda não foram contaminados pelo mesmo vício.

A prevalecer o que ocorreu em relação ao atual Ministro do Trabalho, não será surpresa se, no futuro, outros corrompidos venham a ser agraciados com a medalha do safadismo pelos “bons” serviços prestados ao Brasil.

 

 

 

 

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