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04 / jul 2012

A ADVERTÊNCIA DO BANCO CENTRAL

Virene Roxo Matesco faz críticas às previsões do governo para 2012. Foto Roni Rigon

Quando Lula era presidente, sustentava que as crises externas não afetariam o Brasil, devido às nossas reservas cambiais e as medidas que adotara, precavendo-se contra eventuais transtornos globais.

O Banco Central, em relatório divulgado na semana passada, revelou que a previsão do crescimento caiu de 3,5% a 2,5%. A inflação antes prevista em 4,4% deverá fechar o ano em 4,7%.

Oito bancos brasileiros foram rebaixados pela agência de classificação de riscos Moody’s, sendo que a indústria, agricultura e setor de serviços apresentaram desempenho aquém do que era aguardado.

Segundo a professora de Economia Virene Roxo Matesco, da Fundação Getúlio Vargas, “só o governo acreditava que o Brasil cresceria 4% neste ano. O mercado estava longe de acreditar nesses números”.

A esta altura, contrapondo-se ao que fora anunciado, há indícios de que o governo reconheceu como indispensável a adoção de medidas destinadas a reduzir os efeitos da crise que atingiu outras nações.

Estas consistiram, em princípio, na redução do IPI para automóveis, linha branca, móveis e outros produtos. Em seguida, promoveu a redução do IOF para as operações de crédito de pessoas físicas. Não menos sintomática foi a diminuição de juros para o crédito e a taxa Selic, como a do PIS e COFINS para massa e pães.

Como as fábricas nacionais de veículos sofrem manifesta concorrência dos importados, a sua produção tende a reduzir. Com isto, será afetada a geração de empregos, repercutindo na capacidade de consumo, gerando inadimplência e encarecimento do crédito.

Por maior que seja o otimismo da presidente Dilma Rousseff e do ministro Guido Mantega, não poderão contestar os números fornecidos pelo Banco Central.

Mesmo porque, em se tratando de organismo oficial, não ficaria bem àquele estabelecimento desautorizar a empolgação do Executivo se não houvesse motivo bastante para adverti-lo, com a emissão de dados que não devem ser ignorados.

 

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