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23 / jan 2017

A LIÇÃO DE MÁRIO SOARES

Mário Soares foi presidente e primeiro-ministro de Portugal (Foto: Alliance/AP)

Na sua única vinda a Belo Horizonte, o ex-presidente Mário Soares foi recepcionado por expressivas figuras da colônia portuguesa, em evento realizado no Othon Palace.

Convidado a comparecer àquele encontro, na condição de presidente da OAB/MG, com ele troquei impressões sobre o seu país. Impressionou-me o destemor daquele advogado corajoso, que assumiu a defesa da família do general Humberto Delgado, trucidado pela PIDE salazarista, juntamente com uma brasileira, na fronteira com a Espanha.

Na porta do hotel havia um aglomerado organizado por João Pereira da Silva, gerente de João Champalimaud, que inaugurara uma indústria de cimento em Vespasiano. O grupo ostentava cartazes e promovia vaias de repúdio a Soares, pela posição que assumira contra o regime anterior. (mais…)

19 / jan 2017

ENQUANTO TRUMP NÃO CHEGA

Com o mundo tomado de profunda incerteza sobre o que lhe estará reservado na liderança defendida por Donald Trump, reuniram-se nos Alpes suíços três mil personalidades, incluindo o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o presidente do Banco Central, Ilan Godfajn.

O criador do Fórum Econômico Mundial, Klaus Schwab, adiantou que “as coisas não estão indo bem para essa visão aberta e pragmática de progresso”. Segundo o texto divulgado, é preciso colocar “padrões medianos de vida – isto é, o povo – no centro das estratégias nacionais de desenvolvimento e da integração econômica internacional”.

Embora isso não signifique abolir o receituário tradicional, caracterizado pelo predomínio avassalador dos mercados, impõem-se, a esta altura, “esforços combinados para difundir oportunidades, renda, segurança e qualidade de vida, isto é, padrões de vida como parte do processo de crescimento”. (mais…)

18 / jan 2017

UM ABUSO INDECOROSO

Levantamento feito pelo jornal “O Estado de São Paulo”, compreendendo o período de 12 de maio a 31 de outubro de 2016, trouxe à tona fato que afeta a credibilidade do governo federal. Mesmo acenando com a proposta de recuperação das finanças públicas, o presidente Michel Temer não impediu que seus auxiliares diretos promovessem gastos que contradizem esta proposta.

Desde a sua investidura, os jatos executivos da FAB foram utilizados 781 vezes, sendo que, em 238 ocasiões, os deslocamentos ocorreram para cidades onde residem integrantes do primeiro escalão do Planalto.

Assim que o fato foi divulgado, a base aliada de Temer impediu a aprovação de um requerimento de informação submetido à Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara dos Deputados, destinado a apurar esse desmando. (mais…)

17 / jan 2017

NEPOTISMO NA CASA BRANCA

Enquanto o presidente Barack Obama chega ao final de seu segundo mandato com aprovação em torno de 55%, o presidente eleito, Donald Trump, obteve a menor aprovação que seus dois antecessores.

Já no dia da eleição, 58% dos eleitores tinham uma visão negativa de sua gestão, embora alguns dias antes esta impressão fosse positiva, atingindo a 37%, segundo pesquisa do órgão “Real Clear Politics”.

Além das surpreendentes escolhas feitas para o primeiro escalão, colhendo de surpresa os seus correligionários republicanos, o comportamento de Trump na fase de transição revela o seu propósito de contar com atuação permanente da família, mesmo em se tratando de assuntos de interesse do Estado. (mais…)

09 / jan 2017

OS VENTOS QUE SOPRAM NO STF

As últimas convulsões por que o Brasil passou, afastaram, em definitivo, qualquer previsão que se possa fazer em relação ao novo ano. A crise que vinha tumultuando o relacionamento entre o Judiciário e Legislativo, passou a existir, doravante, no próprio poder encarregado pela Constituição de dirimir os conflitos individuais e coletivos.

Com razão a ministra Cármen Lúcia, que vem sendo criticada pelo comportamento adotado no imbróglio criado pelo ministro Marco Aurélio, que tentou afastar do cargo o presidente do Senado, definiu bem o quadro atual: “Dificuldade é para ser enfrentada. Mas, em tempos turbulentos, é preciso redobrar o cuidado para que as dificuldades não se tornem tempestade; a tempestade, desesperança; a desesperança, desespero; o desespero, raiva; a raiva, fúria”.

Enquanto a magistrada, com a sua prudência mineira, procura acalmar o tumulto que medra na Corte que dirige, o ministro Gilmar Mendes, lá da Suécia, provoca o maior rebuliço. A princípio, propondo o impeachment de seu colega Marco Aurélio. (mais…)

09 / jan 2017

A CORRUPÇÃO COREANA

A República da Coreia está mergulhada em um escândalo que culminou com a destituição da presidente Park Geun-hye, aos 64 anos.

Apesar de ser considerada oficialmente como uma democracia de estilo ocidental, tornando-se a décima terceira economia do mundo, as eleições presidenciais realizadas após a sua independência foram marcadas por sucessivas irregularidades.

A presidente destituída sucedeu, em 2013, ao seu pai, Park Chung-hee, que foi assassinado por um guarda-costas, o mesmo ocorrendo com sua mãe. Desde então, Park Geun-hye passou a ser tratada carinhosamente pelo povo como “a filha da Coreia do Sul”.

O motivo da destituição da mandatária coreana deveu-se à influência que sobre ela exercia a amiga Choi Soon-sil no trato das questões governamentais, atuando em favor de empresas poderosas que dependiam da colaboração estatal. (mais…)

04 / jan 2017

A SURPREENDENTE DECISÃO

Desde o processo de impeachment de Fernando Collor, os ministros do Supremo Tribunal Federal tornaram-se mais conhecidos, mormente quando são apreciados temas de interesse político ou coletivo, que despertem a atenção dos brasileiros.

O tratamento que o STF dispensou a Renan Calheiros, a princípio, tornando-o réu em crime de peculato e, posteriormente, assegurando a sua permanência no comando do Senado, não só provocou desencontradas manifestações, como gerou desconfiança quanto ao cumprimento do papel que a Constituição conferiu aos integrantes daquela Corte.

Foi o que sucedeu em relação aos seis ministros que dissentiram do relator, ministro Marco Aurélio. Embora a totalidade houvesse recriminado a fuga de Renan Calheiros do oficial de justiça que fora intimá-lo da liminar imposta, a solução salomônica proposta pelo ministro Celso de Mello gerou incerteza quanto à existência de um acordo prévio entre Executivo, Legislativo e Judiciário, incompatível com a elevada função cumprida pelo STF. (mais…)

03 / jan 2017

O TALENTOSO VILLAS-BÔAS CORRÊA

A crônica política brasileira perdeu, neste mês de dezembro,  a sua figura mais expressiva. Luiz Antônio Villas-Bôas Corrêa partiu aos 95 anos, deixando o seu talento como o melhor legado para as novas gerações, aliado à coragem com que defendeu posições controvertidas, sem transigir ou obter vantagens em relação ao que produzia.

Nascido no Rio de Janeiro, era filho do desembargador cearense Merolino Corrêa, que exerceu a judicatura em Minas Gerais. O nome Villas-Bôas foi uma homenagem do pai ao amigo, desembargador Antônio Villas Bôas, professor e ex-diretor da Faculdade de Direito da UFMG e, mais tarde, ministro do STF.

Quando estudante de Direito no Rio de Janeiro, foi presidente do Centro Acadêmico Cândido de Oliveira (CACO), que sempre teve intensa participação nos movimentos fundamentais da história brasileira. (mais…)

26 / dez 2016

DESESPERO E DESCRÉDITO

Paira um desacerto generalizado entre os Poderes da República, com repercussão evidente no cepticismo que assola a Federação. Nos dias que antecederam à queda de Dilma Rousseff, grassava a expectativa de que o Brasil se livraria dos vícios que comprometiam um governo desacreditado.

Embora o impeachment não viesse a produzir efeitos imediatos, tudo fazia crer que haveria uma transformação gradativa, importando, pelo menos, num resultado diverso daquele que o PT imprimira nos treze anos de sua gestão.

Tão importante quanto à retomada do crescimento, seria a confiança naqueles que Michel Temer viesse a recrutar para ajudá-lo na ingente tarefa da recuperação prometida. (mais…)

26 / dez 2016

COMO SALVAR OS ESTADOS

Em que pesem as vacilações do presidente Michel Temer no trato de questões econômicas, o resultado obtido pelos governadores estaduais não os livrará definitivamente dos riscos a que estão sujeitos.

O que fora acertado em julho passado, doravante, não mais prevalecerá. A contrapartida perdeu-se na bruma do tempo, por mais importante que fosse a solução da grave crise recessiva que enfrentamos.

Falou mais alto o interesse político do que a séria proposta do ministro Henrique Meirelles. Pelo novo texto, o regime de recuperação fiscal suspende por três anos o pagamento da dívida dos estados que se encontram em situação aflitiva. (mais…)